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Salesforce foca no Brasil




November 24, 2009

Salesforce foca no Brasil, mas não deve ter escritório no País

por Vitor Cavalcanti*
23/11/2009
Presidente da companhia para América Latina, Enrique Perezyera, afirma que modelo de negócio dispensa abertura de representação física

Se você quer saber quantos clientes a Salesforce.com possui no Brasil, seja para qualquer um dos seus produtos, dificilmente conseguirá. Números e informações como essas são guardadas a sete chaves pelos executivos da companhia. Mas o corpo diretivo da empresa garante que existem grandes companhias adotando software como serviço e cloud computing no País, assim como em outros mercados emergentes.

Conforme explicou em entrevista ao IT Web, durante o Dreamforce 2009, que aconteceu em San Francisco, Estados Unidos, o presidente da companhia para América Latina, Enrique Perezyera, o perfil de clientes da empresa na região está muito variado e envolve grandes corporações, como Dell, Cisco, CA e Symantec, que possuem contratos em nível global, o que "dificultaria" contabilizar o número de clientes e usuários por país. De companhias nacionais, ele destaca a Votorantim, o jornal Correio Braziliense e a Rossi Residencial. Mas ele quer ampliar esse leque.

"O Brasil é o mercado mais importante da América Latina e estamos muito focados nele. Temos mais de mil clientes na região e eles estão distribuídos principalmente entre Brasil e México", afirma o executivo. Perezyera parece estar muito familiarizado à cultura nacional e tece elogios ao País, sobretudo à estabilidade econômica que ajudou com que o mercado brasileiro fosse menos impactado pela crise. Além disso, ele ressalta o fato de companhias brasileiras serem eraly adopters como algo altamente positivo para o desenvolvimento do segmento de computação em nuvem.

Por falar em crise, embora não afirme com todas as palavras Perezyera mostra que a companhia dispensou atenção especial ao Brasil durante a turbulência econômica, justamente pelas oportunidades de negócios que poderiam surgir e surgiram, mas avisa: "desde o princípio da organização existe uma indicação de focar fortemente o Brasil e isso acontece há quase cinco anos, para desenvolver market makers, como a Votorantim e também para ter uma rede de parceiros que nos ajuda a implantar nossa tecnologia."

Em busca de canais

E quando o assunto envolve parceiros, Perezyera reconhece que será preciso um trabalho adicional para que a cobertura da companhia atinja todo o território nacional. Hoje, os esforços estão muito concentrados em São Paulo e Rio de Janeiro, com alguns trabalhos em Joinville e Curitiba, como informou o presidente AL à reportagem. Recentemente, a Salesforce.com fechou contrato de parceria com a Stefanini e com Tallard, do Grupo Itaú, e com isso iniciou um processo de expansão de sua atuação nacional. "Mas precisamos de mais canais e parceiros no Brasil para aumentar a cobertura do territórios e estamos em busca constante", avalia.

Apesar desse foco que eles afirmam ter no Brasil, a companhia não tem planos de abrir nenhum escritório físico. A justificativa envolve toda uma argumentação em torno da filosofia da companhia que está totalmente ligada à nuvem e não à alguma coisa presencial e física. "Não precisamos de um escritório no Brasil, porque o portal é o que tem mais valor agregado para nossos clientes. Ele tem ótima qualidade e está em português", argumenta. Além disso, Perezyera informa que sempre há executivos da Salesforce no País. "Os executivos voam para o Brasil todos os dias para trabalhar com os parceiros e vamos juntos nas reuniões para atender os clientes. Eu mesmo, duas semanas por mês, moro no Brasil", completa.

Além dessa presença constante, ele garante que está formando uma equipe de vendas que conta, atualmente, com um gerente. Mas é curioso o fato de que o gerente de vendas Brasil fique baseado em Miami, nos Estados Unidos. Estão programadas ainda, para 2010, como frisou o executivo, round tables entre CIOs, desenvolvedores e parceiros. A ideia, de acordo com Perezyera, é atrair produtores de conteúdo para a Force.com. "Nossa linguagem de programação é muito similar à Java, com algumas extensões. Queremos convidar os desenvolvedores a usarem nossa plataforma porque a licença é de graça", prevê.

Adoção em alta

Sobre o uso de cloud computing e software as a service (SaaS), o presidente AL da Salesforce calcula que existe um crescimento bastante positivo e em todos os tipos e tamanhos de empresas. Atualmente, ele afirma que os clientes da companhia estão praticamente divididos em partes iguais entre grandes, médias e pequenas empresas. "Nos mercados emergentes, as corporações olham cloud como uma solução que vai permanecer por muitos anos e eles estão começando a explorar e experimentar qual a penetração de soluções de computação em nuvem em suas arquiteturas."

De acordo com Perezyera, os contratos de três meses, bastante comuns quando a modalidade chegou ao mercado, estão sendo deixados para trás e grande parte das vendas atuais é com acordo de longa duração. Isso porque, garante o representante da Salesforce, as companhias estão promovendo uma grande avaliação sobretudo de ROI. "A diretoria das empresas não podem aguardar por dois anos para ter resultado de SAP ou Oracle. Eles querem a solução em produção em seis semanas e cloud promete isso."

*O jornalista viajou à San Francisco a convite da Salesforce.com